Eu gostei do apagão!
Por volta das 22h30 da noite de ontem, eu estava no centro do Rio de Janeiro, a caminho de casa, depois de uma breve chuva refrescante.
De repente, um pisca pisca, e pronto, apagão! Em princípio, achei que seria mais um desses blackouts rápidos e ligeiros, mas não foi. Sem saber de nada, segui minha viagem, tranquila e calma, sem ao menos imaginar que o súbito breu causaria tanta repercussão na minha cidade e em mais nove estados do Brasil.
Chegando em Jacarepaguá, bairro que moro, nem uma luzinha pra iluminar minha caminhada do ponto de ônibus até ao meu prédio. Confesso que senti um certo pavor, medo, algo estranho. Mas tomei um fôlego de coragem e caminhei.
Não vou narrar com detalhes toda a dificuldade que passei pra subir 4 andares no escuro, depois enfiar a chave na fechadura e enfim me sentir segura. Até porque, o objetivo deste relato não é mostrar as dificuldades.
O que quero dizer é o seguinte: AMEI O APAGÃO. Por diversos motivos.
Foi maravilhoso olhar pela janela e perceber a completa ausência de aparelhos de televisão ligados num raio de muitos quilômetros. Ninguém gritando gol, ninguém chorando o drama da novela que reconta a mesma história pela enésima vez. Nenhum jornalístico televisivo anunciando em tom dramático notícias horrendas escolhidas a dedo para instilar o mais absoluto pavor nas mentes de todos. Ninguém fazendo da televisão uma companhia permanente, repetindo de tal forma o hábito a ponto de torná-lo um vício. Ninguém sacudindo a perna, esperando ansioso o intervalo comercial para fazer xixi.
Silêncio, que beleza!
Eu estava sozinha em casa, e na verdade, gostaria de ter vivido essa experiência do silêncio raro, acompanhada da minha família, ou amigos. Para que pudessemos conversar, sem iterrupções.
Lembrei das vezes em que na infância, ficamos sem luz lá em casa, e brincavamos de qual é a música, adedanha de dedinhos, falamos de sonhos e vontades. Morriamos de rir, contando piadas. Que delícia.
Durante o apagão de ontem, pensei que nos apartamentos em volta, as pessoas deveriam estar conversando em tom de voz adequado e imaginei os pais dialogando com seus filhos, algo que talvez não ocorresse desde… quando, mesmo?
Tenho para mim que o Criador, em sua infinita sutileza, causa periodicamente essas interrupções elétricas a fim de generosamente nos oferecer oportunidade de lembrar que não existimos para passar a vida diante da televisão. Vida não é o que aparece na tv nem o que acontece às pressas durante os comerciais. Viver é muito mais.
A vida sem televisão é incomparavelmente melhor.


1 Comentários:
I'm appreciate your writing skill.Please keep on working hard.^^
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