Carol Cavassa

Há uma menina, uma jornalista, uma criança, uma mulher, uma carioca, uma apaixonada, uma brasileira... Há tanto dentro de mim...

4.07.2010

O Rio de Janeiro continuará lindo!

Há tempos não conto algo do meu dia a dia aqui no blog. Normalmente, posto citações ou algum texto opinativo sobre assuntos que considero relevantes. Mas nesta quarta feira de cinzas de abril, seria quase impossível não expressar minha tristeza e indignação com a tragédia que tomou conta do Rio de Janeiro desde segunda feira à tarde.
Posso dizer que tive sorte, muita sorte. Ante ontem, quando sai do trabalho, no inicio da noite, enfrentei a chuva que começava a apertar, sem ao menos imaginar a proporção que ela tomaria. Sendo assim, caminhei até o ponto de ônibus, que eventualmente pego. Não sei o porquê, mas algo me impulsionou a mudar a rotina, ou seja, não andar até a Avenida Presidente Vargas e pegar o ônibus que viajo diariamente até a minha casa. Como aprendi a seguir meus intuitos, mudei o itinerário.
Inicialmente, o engarrafamento na Rua da Carioca até a Leopoldina foi intenso, porém não muito diferente do que ocorre em horários de rush. Peguei meu livrinho, disposta a não me aborrecer com a apurrinhação, até que a fome começou a me incomodar. Foi ai que olhei para a janela e reparei que em duas horas de viagem, ainda estavamos entrando na Av. Brasil.
É, meus caros, foi ai que começou a odisséia. Foram mais 3 horas dentro do ônibus, cansada, preocupada, com dor de cabeça e muita, mas muita fome. Nestas cinco horas de viagem, pensei muito no fato de que para ser carioca, é preciso sim, muito bom humor e jogo de cintura. Também pensei, mais uma vez, no equívoco da escolha do Rio de Janeiro pra sede das benditas olímpiadas, enfim, pensei em muitas coisas, até em besteiras.
Quando cheguei em casa, fula da vida, querendo comer um elefante, comecei meu repetitivo discurso: "Isso não é vida, preciso morar mais perto do trabalho, etc, etc..." Sem ao menos imaginar que muitas pessoas estavam passando por situações bem piores que a minha!
Ontem, terça-feira, comecei o dia assistindo as notícias e até me sentindo mal por ter dramatizado tanto o engarramento de 5 horas. Passei da indignação à perplexidade e tristeza, acompanhando todos os desdobramentos do temporal pela TV e Internet, me comovendo com as mortes e famílias desalojadas e pensando em como pimenta nos ZÓIOS dos outros é refresco. É, minha gente, alguém reparou como nós sempre cagamos e andamos, quando o temporal cai em São Paulo?
É, isso mesmo, simplesmente abstraimos, afirmando com desdém que isso acontece, que a culpa é do governo e do povo que joga lixo nas ruas e que moramos na cidade maravilha, como se estivessemos imunes a qualquer fenômeno metereológico ou forças da natureza. Agora, sentimos na pele, e bem na pele, porquê a geografia do Rio de Janeiro não dá trégua pra ninguém... Os desmoronamentos acontecem na pobreza e na riqueza, da baixada a zona sul... E no fim, ficamos todos no mesmo barco, ou melhor, no mesmo lago.
Hoje, ainda comovida e certa de que preciso parar de lamentar e fazer algo para ajudar alguém, resolvi organizar uma campanha para as vítimas dos desmoronamentos. Assim, pedi ajuda de amigos, pelo MSN, e simplesmente não tive nenhuma resposta de algum dos indivíduos. Aliás, não posso ser injusta, só uma pessoa da minha vasta lista, me chamou por conta da minha frase de convocação na mensagem pessoal do programa.
Esta pessoa, que nem faz parte do meu dia a dia, se propôs a me ajudar, organizando um show ou roda de samba beneficente, onde juntaremos roupas, agasalhos e alimentos não perecíveis. Espero, do fundo do meu coração, reunir muitas pessoas e assim, virar a página desta catástrofe, certa de que meu Rio continuará lindo e feliz por, de alguma forma, fazer a minha parte.
É isso!

2 Comentários:

Blogger M.M. disse...

Minha cara, sua iniciativa é muito nobre, merece atenção e respeito. Quando dizemos que a culpa é do povo que joga lixo nas ruas, estamos inclusos nessa. Milhares de iniciativas como essa estão acontecendo, mas o problema é muito maior do que simplesmente fazer eventos beneficentes. Participo de muitos eventos como esse, pelo menos um por mês. Em prol do Haiti, do Walter Alfaiate, da aposentadoria de sambistas, das vítimas da chuva, dos deslizamentos no morro dos Prazeres( aqui perto de casa) e tantos outros, mas infelizmente precisamos de uma mobilização muito maior. Reclamar não é o problema, o problema é estar inerte. Pelo contrário, pessoas conscientes como eu e como você devem estar sempre reclamando e formando opinião. Mas para de fato haver alguma mudança, precisamos de uma conscientização muito maior. Amanhã vou no Hemorio doar sangue, cantar `a noite e continuo achando o Rio lindo. Fazer a minha parte me deixa dormir tranquilo, mas infelizmente não resolvo nada sozinho. Nem eu nem você. Um beijo e parabéns pelo blog.

5:12 PM  
Blogger Tathiana Braga disse...

Pode contar comigo: adoro sambar e ajudar! =)

5:15 PM  

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