Diploma, ter ou não ter!
Além de assistir a decisão que é um verdadeiro retrocesso das conquistas para o jornalismo, temos que ouvir o discurso patético do senhor Gilmar Mendes ao comparar o jornalista a um cozinheiro. Digo patético, porque a comparação é realmente infeliz, já que uma coisa não tem nada a ver com outra. Enfim, meu intuito não é defender minha profissão desmerecendo outras. Mas que é patético, isso é.
Desde a última quarta-feira, o debate sobre o assunto aumentou, muitos tem esboçado opiniões sem nexo ou conteúdo. Os que são contra a obrigatoriedade, defendem que o jornalismo por ser uma atividade intelectual, pode ser exercido por qualquer cidadão afirmando que a exigência do diploma fere os preceitos de liberdade de expressão, conquistados e promulgados na Constituição brasileira.
Por outro lado, estes "pensadores" esquecem que a lei 972/1969 prevê que profissionais de outras áreas possam escrever artigos específicos, sendo, então, colaboradores do veículo de comunicação, o que derruba tal tese de que existem restrições ou qualquer tipo de censura à liberdade.
Estes também esquecem que o jornalista é cidadão, trabalhador, assim como outros e que também tem direito as leis trabalhistas importantes, antes indefinidas. Entre elas, a jornada especial de cinco horas, pagamento de horas extras, piso salarial correspondente com a carga horária, além de planos de saúde, transporte e cesta-básica. Ah, e os mesmos nem imaginam essa sentença atende, na verdade, aos interesses dos monopólios. Liberdade total para as empresas. Poder absoluto ao patronato.
Outro fato importante que também parece ter sumido da cabeça dos que são contra o diploma é que além do nível cultural do profissional, é necessário que o mesmo tenha fundamentos técnicos ensinados somente durante a graduação, ora bolas.
Sendo assim, para escrever uma reportagem não basta apenas ter domínio da Língua Portuguesa ou saber articular bem os pensamentos, fatos e ideias. É preciso juntar tudo isto com as técnicas de apuração jornalística, que ajudam a melhorar a qualidade das informações que são difundidas. Por isso, jornalismo não é só talento, é um ofício.
Portanto, deixo aqui minha indignação, não só com o "Senhores" do Supremo, mas com todos os cidadãos desinformados. Peço que antes de defenderem ou condenarem algo, procurem saber, ler e se informar a fundo, para que não falem besteiras, sem coerência ou fundamentos.
Tenho esperanças que este quadro seja revertido, e caso o STF decida não revogar o caso, para mim e muitos outros jornalistas, todas as teorias e técnicas abosrvidas durante a graduação, continua valendo à pena.
Valendo muito.
Desabafo de uma semi-jornalista com diploma!